Romantismo
Sabias que uma época marcante como o Romantismo está ligado a Sintra? O século XVIII tinha sido muito ligado às ciências e ao que costumamos chamar de racionalidade. Ora, o Romantismo, veio tentar contrariar isso, centrando não na matemática ou nas máquinas a sua atenção, mas sim em si próprios, no ser humano. Por exemplo: os pintores românticos preferiam pintar ao ar livre, junto das pessoas e da Natureza, do que pintar em espaços fechados, como os ateliês.  Uma nota final: o Palácio da Pena é uma das obras mais importantes do Romantismo português.
Outras informações importantes:
Palácio de Monserrate

Palácio de Monserrate


Sabias que...

... sabias que a Colecção de Arte do Município de Sintra tem quadros românticos?

É verdade: três exemplos são as pinturas a óleo de João Cristino da Silva, Alfredo Keil e A. E. Hoffmann.
sabias-que
Romantismo
Para os meus pais e professores
lerem comigo

Informações do sítio na web da Câmara Municipal de Sintra e do sítio na web  Sintra Romântica

 
 

Texto 1


Romantismo em Sintra

Em redor do centro histórico, Sintra oferece-nos o que de mais belo e significativo o movimento romântico criou. Se no alto da Serra o séc. XIX viu nascer o Palácio da Pena, fruto dos sonhos de um rei artista, D. Fernando, as faldas da montanha vão salpicar-se de magníficos chalets, de palacetes como o de Monserrate, de cariz orientalizante, envolvido na exuberância do seu parque exótico, verdadeiro museu botânico; de quintas senhoriais como a do Relógio, com o seu palácio neo-mourisco; ou a da Regaleira, a transportar-nos para o mundo dos símbolos iniciáticos. É, enfim, um brilhante ciclo revivalista que iria transformar, de uma forma marcante e sedutora, o tecido paisagístico de Sintra.

Mas, tal como a Natureza e os monumentos, Sintra possui outro tipo de património: as pessoas. Aquelas que lá nasceram e todas as outras, as que a descobriram e amaram. Seria tarefa árdua enumerar aqui todas as personalidades históricas ligadas a Sintra. Recordamos, apenas, os nomes de Lord Byron - que imortalizou a paisagem sintrense quando lhe chamou o «Glorioso Éden», na Peregrinação de Childe Harold -; William Beckford, os pintores Van Eyck e William Burnett; ou ainda Hans Christian Andersen, que comparava os bosques de Sintra aos da sua querida e longínqua Dinamarca.

Entre todas as personalidades que respiraram os ares de Sintra, uma houve que mudou o curso da História daquela vila: D. Fernando de Saxe Coburg-Gotha, príncipe da Baviera que casou com D. Maria II de Portugal, em 1836. Este homem, de vastíssima cultura e sensibilidade refinada, viria a edificar no alto da montanha o Palácio da Pena, brilhante e romântico, fantástico e sedutor. Outra grande figura do panorama cultural alemão e universal, Richard Strauss, ao visitar aquele palácio, deixou bem registada a sua perplexidade e admiração: «Hoje é o dia mais feliz da minha vida. Conheço a Itália, a Sicília, a Grécia e o Egipto, e nunca vi nada, nada, que valha a Pena. É a coisa mais bela que tenho visto. Este é o verdadeiro jardim de Klingsor - e, lá no alto, está o Castelo do Santo Graal.»

A importância de D. Fernando em relação a Sintra não se cinge, apenas, à construção do Palácio da Pena. Ele é também o principal responsável pela mudança de mentalidades, pela introdução de novos gostos e novas tendências, novos sentidos estéticos  na paisagem e nos homens. Com D. Fernando, Sintra iniciou mais um período áureo da sua História e transformou-se, definitivamente, num verdadeiro santuário romântico e destino turístico privilegiado.

Por tudo isto, acrescido dos bons ares, da hospitalidade das gentes, das praias saudáveis do Atlântico e de uma cultura viva e constante, Sintra ainda é, como a considerou Robert Southey nos finais do século XVIII, «o mais abençoado lugar de todo o globo habitável».

in sítio na web da Câmara Municipal de Sintra


Texto 2 - parte1

É (...) no terceiro quartel do séc. XVIII que o espírito romântico dos viajantes estrangeiros e da aristocracia portuguesa exultam a magia de Sintra e dos seus lugares, ao que se junta o exotismo da sua paisagem e do seu clima. Aqui chega, no Verão de 1787, William Beckford, hóspede do 5° marquês de Marialva, estribeiro-mor do reino, residente na sua propriedade de Seteais e é aqui que a ainda princesa D. Carlota Joaquina, mulher do regente D. João, compra, no princípio do século XIX, a Quinta e o Palácio do Ramalhão. Entre 1791 e 1793 Gerard Devisme constrói na sua extensa Quinta de Monserrate o palacete neo-gótico. E é ainda o exotismo desta paisagem envolta em nevoeiro uma boa parte do ano que atraí um outro inglês, Francis Cook o segundo arrendatário de Monserrate depois de Beckford e a expensas do qual é construído o pavilhão de gosto orientalizante que hoje conhecemos, entre uma série de magnatas estrangeiros que por aqui se vão fixando em palácios, palacetes e chalets que fazem construir ou reconstroem à medida das potencialidades deste invulgar meio natural.

O apogeu deste desenvolvimento extraordinário da paisagem de Sintra foi atingido com o reinado de D. Fernando II da dinastia de Saxe-Coburgo-Gotha (1836-1885). Muito ligado a Sintra e à sua paisagem, pela qual nutria um grande afecto, este rei-artista implantaria aqui o Romantismo de uma forma esplêndida e única para as regiões mediterrânicas. O rei adquiriu o Convento da Pena situado sobre uma montanha escarpada e transformou-o num palácio fabuloso e mágico, dando-lhe a dimensão máxima que apenas um romântico de uma grande visão artística e de uma grande sensibilidade estética podia sonhar. Este antecipa, por assim dizer, o célebre Castelo de Neuchwanstein erigido por Luís II da Baviera. Além disso, D. Fernando II rodeou o palácio de um vasto parque romântico plantado com árvores raras e exóticas, decorado com fontes, de cursos de água e de cadeias de lagos, de chalets, capelas, falsas ruínas, e percorrido de caminhos mágicos sem paralelo em nenhum outro lugar. O rei tomou também o cuidado de restaurar as florestas da Serra onde milhares de árvores foram plantadas, principalmente carvalhos e pinheiros mansos indígenas, ciprestes mexicanos, acácias da Austrália, e tantas outras espécies que contribuem perfeitamente para o carácter romântico da Serra.

Assim evoluiu na Serra de Sintra uma paisagem cultural de um valor eminente e singular. Do ponto de vista mais natural, associa componentes das floras mediterrânicas e setentrionais a centenas de árvores e flores exóticas, num quadro de jardins, parques e florestas verdadeiramente único.

Entre a segunda metade do século XIX e os primeiros decénios do século XX, Sintra tornou-se um lugar privilegiado para artistas: músicos como Viana da Motta; músicos-pintores como Alfredo Keil; pintores como Cristino da Silva (o autor de uma das mais célebres telas do romantismo português, Cinco Artistasem Sintra); escritores como Eça de Queiróz ou Ramalho Ortigão, todos eles aqui residiram, trabalharam ou procuraram inspiração.

Muitos outros artistas foram seduzidos por Sintra. Sintra foi transformada em arte escrita, pintada, cantada e recordada por Byron, Christian Andersen, Richard Strauss e  William Burnett, entre outros.

A circunstância histórica e arquitectónica ditou para Sintra e para a sua Serra uma individualidade única que não se esgotou no régio Palácio da Pena. Mas que, antes pelo contrário terá oscilado entre a teoria e a assunção da "construção" de uma paisagem romântica, formalizando-se em arquétipos que desembocaram no vasto conjunto da arquitectura revivalista e que, aqui, entrou bem pelo séc. XX adentro.

“Sintra não é uma vila qualquer”, como escreveu em 1989 o historiador da Arte Vítor Serrão, Sintra é Património Mundial da Humanidade, é Paisagem Cultural (classificada pela UNESCO).

Sintra é um universo paralelo, que só conhecemos dos sonhos, mas que existe aqui bem perto.

Em suma, Sintra é a verdadeira e única capital do Romantismo.

in Sintra Romântica

 
Se encontrares algum erro nesta página ou se tiveres mais alguma informação, contacta-nos.
Também podes contribuir com a tua criatividade: envia-nos os teus textos e/ou ilustrações! Vê como aqui.