Núcleo dos Saloios (Casa-Museu de Leal da Câmara)
Na Rinchoa existe um edifício que já foi uma escola e hoje funciona como uma parte de um museu. Ou antes, de uma casa-museu. Estamos a falar da Casa-Museu de Leal da Câmara e a parte que funciona na antiga escola chama-se Núcleo dos Saloios. Este artista retratou, através de várias técnicas (desenho, pintura e até têxteis!) o povo das Mercês e da Rinchoa. Aos habitantes das zonas rurais da região de Lisboa chamavam-se saloios.
Outras informações importantes:

Sabias que...

... esta escola nasce de um projecto para uma aldeia portuguesa em França?

É verdade: chegou a existir um projecto de um arquitecto chamado Jorge Segurado para se fazer em França uma aldeia típica portuguesa. E um desses projectos foi aproveitado para esta escola.
Sabias que
Núcleo dos Saloios
Para os meus pais e professores
lerem comigo

Texto retirado do Roteiro da Casa-Museu de Leal da Câmara, obra de Élvio Melim de Sousa e Rita Maia Gomes (2005):

Parte 1

O Núcleo dos Saloios encontra-se patente ao público na antiga Escola Primária das Mercês-Rinchôa / Leal da Câmara.

O historial do edifício remonta, de certo modo, aos idos de 1919.

Ao que se supõe, primeiramente terá existido um desenho da autoria do Arquitecto Jorge Segurado, com destino a ser construído nas proximidades de Richebourg L’ Avoué, na Flandres francesa e integrado no grandioso plano geral de constituição de uma Aldeia Portuguesa. Esta Aldeia, não só devolveria a pátria lusa aos nossos soldados mortos durante a I Grande Guerra em terras estrangeiras (sobretudo em La Lys, Pas-de-Calais), como proporcionaria a todos, em simultâneo, o contacto com a História e com a Cultura nacionais. O projecto, concebido para sediar, especificamente, um Museu Etnográfico Português, ficou-se, tão-só, pela sua intenção.

Parte 2

Através da intervenção de Mestre Leal da Câmara, foi essa mesma planta arquitectónica reabilitada e adaptada a Escola, a qual veio, efectivamente, a erigir-se, tendo funcionado como tal durante mais de cinco décadas (de 1939-1940 a 1990).

Frequentaram o estabelecimento várias centenas de crianças de ambos os sexos, e de todos os escalões sociais, provenientes de diversos lugares das redondezas.

Em 1990, e na sequência da construção de um novo edifício para alojar a Escola Básica N.º 1 da Rinchôa, o antigo estabelecimento foi desactivado e o seu equipamento transferido, na totalidade, para o novo espaço, como atestam alguns documentos municipais.

Depois de desocupada, foram ministrados, no local, alguns cursos de formação, entre 1990 e 1991, restando então o seu uso adstrito à Divisão de Habitação e Acção Social da Edilidade.

Parte 3

Nos dois anos seguintes, serviu de atelier artístico e de plataforma de apoio a alguns espectáculos infantis e animações de rua, a par, também, de área destinada a cursos formativos. Entre Setembro de 1994 e Julho de 1995, foi usada como sede e como local de trabalho à equipa coordenadora da criação do Centro Lúdico de Rio de Mouro (Divisão de Educação da Câmara Municipal de Sintra).

A partir daqui funcionou como depósito de equipamento vário da Autarquia, tendo persistido esta ocupação até ao início das totais e profundas obras de restauro e de remodelação (finais de 1997), a fim de, na antiga Escola Primária da Rinchôa, poder vir a ser instalado um novo Núcleo Museológico (Pólo da Casa-Museu de Leal da Câmara).

Parte 1

A fixação de figuras, vivências e costumes saloios na obra de Mestre Leal da Câmara abarca um período vasto dentro da produção geral da obra do artista – dezoito intensos e proveitosos anos.

Apesar de se inserir numa conjuntura de ‘declínio’, quer a nível da criação artística, quer a nível da sua própria existência, a ‘Fase dos Saloios’ (1930-1948) de Leal é, sem dúvida, das mais prolíficas e das mais importantes, pelo seu significado e por operar, de certo modo, a ‘reabilitação’ social do indivíduo saloio.

No acervo do Complexo Museológico da Rinchôa, contam-se, assim, às centenas,os esboços, os ‘croquis’, os desenhos e os ‘produtos acabados’, alguns deles de elevada qualidade, embora algo distantes, é certo, do traço genial de algumas caricaturas e paisagens dos períodos lisboetas, madrileno e parisiense.

Os Saloios caricaturados de Câmara não são jocosos, nem depreciativos. São captados em atitudes de trabalho, ou, então, de ordeiro convívio ou de merecido descanso, conferindo-lhes sempre o Mestre características sérias, de reconhecimento e de respeito, quer sejam homens, mulheres ou crianças, e independentemente de qual seja a sua condição social.

(...)

O Núcleo dos Saloios pretende mostrar ao visitante, no geral, e à população escolar (discente e docente), em particular, parte de uma significativa colecção já inventariada e tratada museologicamente na Casa-Museu de Leal da Câmara – cuja grandiosidade e importância justificou um legítimo e há muito aguardado destaque – tendo-se optado por expor, a par de obras conhecidas, outras peças praticamente nunca vistas, entre aguarelas e guaches, desenhos feitos a lápis e a tinta-da-china, ou, ainda, executadas em cerâmica e tecido sobre projectos seus.

Pelo facto de o Núcleo dos Saloios se situar na Freguesia de Rio de Mouro e, ainda, pela circunstância de algumas das suas localidades mais emblemáticas terem sido fixadas basta e magistralmente pelo Mestre, optou-se por denominar as três salas de exposição pública como ‘Espaço Rio de Mouro’, ‘Espaço Rinchôa’ e ‘Espaço Mercês’, não se registando, porém, uma correspondência total entre estas denominações e as peças expostas.

 
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